DE S. S. JUJUY A SUSQUES (200 km rodados no dia) - 3630 km rodados desde Brasília e 1790 km dentro do território argentino – Deixamos Jujuy por volta das 9 h. Já tinhamos saído da cidade quando demos falta da minha máquina fotográfica. Havia ficado no hotel Augustus. Paulo e Rosane ficaram parados na estrada enquanto eu voltei sozinho para buscá-la. Usei o GPS para me orientar (com mapa do projeto argentino Mapear) e em 20 minutos já estava de volta, com o problema resolvido. A partir de Jujuy a viagem, de fato, tornou-se muito especial. Um trecho fantástico de penhascos e montanhas começa a surgir aos nossos olhos. Tenho a impressão de ter entrado em outro planeta. Um cenário extremamente árido, multicolorido que, às vezes, me fez lembrar o seriado “Perdidos no Espaço”.
Passamos pela cidade de Yala e Reyes, nos arredores de Jujuy, Encontramos alguns motociclistas de Buenos Aires, todos de Harley Davidson, parados na entrada das Lagunas de Yala. Chegamos a iniciar uma tentativa de conhecê-las, mas logo desistimos por conta da estrada de rípio, formada por pedregulhos de tamanho razoável. Não quis encarar esse desafio com a Rosane na garupa e com a moto muito pesada. Saímos da rodovia principal e seguimos para Tilcara, na Quebrada de Humahuaca, onde se localiza o sítio arqueológico El Pucará, uma cidade de pedra com mais de 1000 anos, construída pelo povo omaguaca a 2400 m de altitude. Reencontramos com o mesmo grupo de motociclistas de Buenos Aires por lá. Tivemos que fazer uma visita rápida por causa do horário. O sítio fecha ao meio-dia para a sesta dos funcionários. Tiramos muitas fotos e fizemos filmagens com a própria câmera fotográfica. Almoçamos num restaurante muito charmoso de Tilcara: picante de frango e de carneiro. O calor superava os 40 graus.
Deixamos a cidade logo após o almoço e seguimos para Purmamarca. Paramos na rodovia em frente ao Cerro de las 7 Colores, um espetáculo de cores à parte nesta viagem. Ali, em Pumamarca, começa a Cuesta de Lipán, onde estão localizados os famosos Caracoles: trecho de aproximadamente 65 km com muitas curvas de até 360 graus, ladeando despenhadeiros que só imaginava existir no cinema. Por ali não dá mesmo para rodar acima dos 60 km/h nas retas, ou 30 km/h nas curvas. Acho que foi o cenário mais impressionante até aqui. Depois das 16 h enfrentamos ventos fortíssimos que quase lançaram a moto no chão. Devo lembrar que minha moto, com Rosane na garupa, está pesando algo em torno de 380 kg e foi difícil encarar esse trecho de curvas e ventos simultaneamente.
Fizemos o trecho de hoje com muitas paradas, sem qualquer preocupação com horário. Fotos e mais fotos. Os cenários exuberantes nos fizeram utilizar toda a carga das duas câmeras que levávamos. Deu pra registrar muita coisa legal.
Pilotamos muitas horas acima dos 4000 m (chegamos a atingir exatos 4800 m) e isso é indescritivel! A mente navega em estado emotivo, aberta às lembranças de muitas épocas. Um estado de paz e uma vontade de chorar por qualquer motivo toma conta da gente. A partir de Tilcara iniciamos a mastigação de folhas de coca. A mudança muito rápida de altitude não permite ao organismo uma adaptação adequada. O ar, de fato, some dos pulmöes! Chegamos a Susques sem ver um único posto de gasolina desde S. S. Jujuy, cerca de 170 km de rodagem. Susques é um povoado indígena todo construido em tijolos de argila, a 3.600 m de altitude. Jantamos empanadas e tomamos duas garrafas de vinho argentino na pousada El Alquillar. O frio já era intenso antes mesmo de anoitecer, algo em torno de 4 graus. Dormimos debaixo de 4 cobertas,. A temperatura caiu para 2,6 graus negativos na madrugada. {Fotos em Jujuy, Tilcara (El Pucará), Purmamarca (Cerro 7 Colores), Cuesta de Lipán (Caracoles) e Susques}







2 comentários:
Muito bom Flavio
gostei muito das fotos e Relatos sobre a viagem!
Parabéns pelo trabalho!!
Abraços
Thiago
GOSTEI MUITO DO SEU RELATO COM CALCULOS E INFORMAÇÕES MUITO INTERESSANTES PARA NOS AVENTUREIROS. PARABÉNS!!!
ROBSON MEDEIROS(RASPA DO TACHO MC)
ARUJÁ- SÃO PAULO.
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