13 de nov de 2007

DIA 17 de outubro de 2007
DE S. S. JUJUY A SUSQUES (200 km rodados no dia) - 3630 km rodados desde Brasília e 1790 km dentro do território argentino – Deixamos Jujuy por volta das 9 h. Já tinhamos saído da cidade quando demos falta da minha máquina fotográfica. Havia ficado no hotel Augustus. Paulo e Rosane ficaram parados na estrada enquanto eu voltei sozinho para buscá-la. Usei o GPS para me orientar (com mapa do projeto argentino Mapear) e em 20 minutos já estava de volta, com o problema resolvido. A partir de Jujuy a viagem, de fato, tornou-se muito especial. Um trecho fantástico de penhascos e montanhas começa a surgir aos nossos olhos. Tenho a impressão de ter entrado em outro planeta. Um cenário extremamente árido, multicolorido que, às vezes, me fez lembrar o seriado “Perdidos no Espaço”.
Passamos pelas cidades de Yala e Reyes, nos arredores de Jujuy, Encontramos alguns motociclistas de Buenos Aires, todos de Harley Davidson, parados na entrada das Lagunas de Yala. Chegamos a iniciar uma tentativa de conhecê-las, mas logo desistimos por conta da estrada de rípio, formada por pedregulhos de tamanho razoável. Não quis encarar esse desafio com a Rosane na garupa e com a moto muito pesada. Saímos da rodovia principal e seguimos para Tilcara, na Quebrada de Humahuaca, onde se localiza o sítio arqueológico El Pucará, uma cidade de pedra com mais de 1000 anos, construída pelo povo omaguaca a 2400 m de altitude. Reencontramos com o mesmo grupo de motociclistas de Buenos Aires por lá. Tivemos que fazer uma visita rápida por causa do horário. O sítio fecha ao meio-dia para a sesta dos funcionários. Tiramos muitas fotos e fizemos filmagens com a própria câmera fotográfica. Almoçamos num restaurante muito charmoso de Tilcara: picante de frango e de carneiro. O calor superava os 40 graus.
Deixamos a cidade logo após o almoço e seguimos para Purmamarca. Paramos na rodovia em frente ao Cerro de las 7 Colores, um espetáculo de cores à parte nesta viagem. Ali, em Pumamarca, começa a Cuesta el Lipán, onde estão localizados os famosos Caracoles: trecho de aproximadamente 65 km com muitas curvas de 180 graus, ladeando despenhadeiros que só imaginava existir no cinema. Por ali não dá mesmo para rodar acima dos 60 km/h nas retas, e 30 km/h nas curvas. Acho que foi o cenário mais impressionante até aqui. Depois das 16 h enfrentamos ventos fortes que nos empurravam para o paredão das montanhas. Devo lembrar que minha moto, com Rosane na garupa, está pesando algo em torno de 380 kg e foi meio complicado encarar esse trecho de curvas e ventos simultaneamente.
Fizemos o trajeto de hoje com muitas paradas, sem qualquer preocupação com horário. Fotos e mais fotos. Os cenários exuberantes nos fizeram utilizar toda a carga das duas câmeras que levávamos. Deu pra registrar muita coisa legal.
Pilotamos muitas horas acima dos 4000 m (chegamos a atingir exatos 4800 m) e isso é indescritivel! A mente navega em estado emotivo, aberta às lembranças de muitas épocas. Um estado de paz e uma vontade de chorar por qualquer motivo toma conta da gente. A partir de Tilcara, iniciamos a mastigação de folhas de coca. A mudança muito rápida de altitude não permite ao organismo uma adaptação adequada. O ar, de fato, some dos pulmöes! Chegamos a Susques sem ver um único posto de gasolina desde S. S. Jujuy, cerca de 170 km de rodagem. Susques é um povoado indígena todo construido em tijolos de argila, a 3.600 m de altitude. Jantamos empanadas e tomamos duas garrafas de vinho argentino na pousada El Alquillar. O frio já era intenso antes mesmo de anoitecer, algo em torno de 4 graus. Dormimos debaixo de 4 cobertas. A temperatura caiu para 2,6 graus negativos na madrugada.
{Fotos em Tilcara (El Pucará), Purmamarca (Cerro 7 Colores), Cuesta de Lipán (Caracoles) e Susques}


2 comentários:

Thiago Skt Games disse...

Muito bom Flavio
gostei muito das fotos e Relatos sobre a viagem!
Parabéns pelo trabalho!!
Abraços

Thiago

Anônimo disse...

GOSTEI MUITO DO SEU RELATO COM CALCULOS E INFORMAÇÕES MUITO INTERESSANTES PARA NOS AVENTUREIROS. PARABÉNS!!!


ROBSON MEDEIROS(RASPA DO TACHO MC)
ARUJÁ- SÃO PAULO.

Quem sou eu

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Sou servidor do Ministério do Planejamento, motociclista há algumas décadas e membro do motoclube Águia Solitária, em Brasília. Também sou antropólogo e sociólogo por formação; escritor, violeiro e compositor por vocação; e estradeiro por opção. Criei esse blog para compartilhar, com quem demonstre interesse, minhas viagens de moto pelo Brasil e por outros países. Contato pelo email: flaviomcas@gmail.com